Por que a hora do freelancer custa mais que a hora CLT
A hora de um freelancer vale mais que a hora de um funcionário porque ela precisa embutir tudo o que uma empresa normalmente paga por fora do salário. Um CLT recebe 13º, férias com um terço, FGTS e tem INSS patronal bancado pelo empregador; quem trabalha por conta própria assume esses custos sozinho e ainda arca com previdência, imposto e os períodos entre um projeto e outro. Por isso pegar o salário desejado e dividir pelas horas do mês subestima o preço. O cálculo correto parte do que você quer receber líquido e trabalha de trás para frente somando as camadas que o freelancer precisa cobrir.
Como transformar um salário mensal em preço por hora
Para converter um salário em valor-hora, primeiro defina quantas horas você realmente consegue faturar por mês, que é sempre menos que as horas do calendário. Um mês tem cerca de 168 horas úteis, mas parte delas vai para prospecção, orçamentos, e-mails e administração, que ninguém paga diretamente. Divida o salário-alvo pelas horas faturáveis reais, não pelas horas totais, e depois acrescente as provisões de férias, 13º e a margem de encargos. Estimar horas faturáveis alto demais é o erro mais comum: derruba o preço da hora e faz o freelancer trabalhar muito para ganhar pouco.
Que margem de encargos e impostos usar
A margem de impostos depende do seu enquadramento e muda bastante de caso para caso, então trate a sugestão padrão como ponto de partida. Um MEI paga uma guia fixa mensal baixa e tem limite de faturamento; quem fatura por Simples Nacional recolhe uma alíquota que sobe conforme a receita; um autônomo pessoa física recolhe INSS e IRPF em faixas maiores. Além do imposto, reserve uma parte para meses sem contrato, ferramentas, plano de saúde e aposentadoria. As alíquotas e limites são revisados periodicamente, então confirme os valores vigentes com um contador antes de fechar seu preço.
O resultado é um piso, não um teto
O valor que sai aqui representa o preço que equilibra sua renda com um salário CLT equivalente, ou seja, o mínimo para não sair perdendo em relação a um emprego formal. Cobrar abaixo disso significa subsidiar o cliente com o seu próprio bolso. Para cima, porém, o mercado abre espaço: experiência comprovada, especialização, urgência do prazo, complexidade do escopo e a percepção de valor do cliente justificam preços bem maiores. Use este número para nunca cobrar de menos e para negociar com segurança, sabendo exatamente onde fica o seu ponto de equilíbrio.
Como usar esta ferramenta
- Informe o salário CLT mensal que você gostaria de equivaler.
- Digite quantas horas úteis você consegue trabalhar por mês.
- Ajuste os meses extras (férias e 13º) e a margem de encargos, se quiser.
Perguntas Frequentes (FAQ)
- Por que somar meses extras se eu recebo por hora?
- Um funcionário CLT recebe 13º e férias com 1/3 além dos 12 salários mensais. Como freelancer você não tem isso automaticamente, então o cálculo dilui esse valor extra dentro do preço da hora para compensar.
- O que é a margem de encargos/imposto próprio?
- É uma reserva para impostos (MEI, Simples ou IRPF), INSS como autônomo e períodos sem projetos. O padrão sugerido é 20%, mas você pode aumentar se sua carga tributária for maior.
- Esse valor é o mínimo que devo cobrar?
- É uma referência de equilíbrio com um salário CLT. Fatores como experiência, urgência do projeto e demanda de mercado podem justificar cobrar mais.
